2026 SYNOPSIS – UPM

Unidos de Padre Miguel apresente sinopse para 2026

A Unidos de Padre Miguel realizou na noite desta quinta-feira, 29 de maio, a leitura de sua sinopse para o Carnaval de 2026, quando levará para a Marquês de Sapucaí o enredo “𝘒𝘶𝘯𝘩ã-𝘌𝘵é: 𝘖 𝘚𝘰𝘱𝘳𝘰 𝘚𝘢𝘨𝘳𝘢𝘥𝘰 𝘥𝘢 𝘑𝘶𝘳𝘦𝘮𝘢”, que contará a história da guerreira indígena Clara Camarão, símbolo de coragem, liderança e resistência feminina no Brasil colonial.

“Estamos muito felizes em receber compositores interessados em contar um pouco sobre a Clara Camarão na Sapucaí, tenho certeza que teremos uma disputa de samba incrível ” – disse Lara Mara, Presidente da UPM.

“Já estamos com nosso cronograma montado e em breve daremos início aos protótipos de fantasias. Estamos muito empolgados com esse enredo e tenho certeza que teremos um grande samba ” – completou Cícero Costa, Diretor de Carnaval.

Nos dias 14,21,28 de junho e 19 de julho, o carnavalesco estará à disposição dos poetas para tirar dúvidas acerca do enredo.

” Reservamos quatro ocasiões para esclarecer as dúvidas de nossos poetas e garantir que eles possam produzir excelentes sambas. Estamos muito confiantes e felizes com esse processo ” contou o carnavalesco, Lucas Milato.

A entrega dos sambas está prevista para o dia 26 de julho e o início da disputa no dia 08 de agosto.

Em 2026, a Unidos de Padre Miguel será a quinta escola a se apresentar na sexta-feira de Carnaval, em busca do título e o retorno ao Grupo Especial.

Mônica Marinho
Comunicação

GRES Unidos de Padre Miguel
Credito Fotos Fausto Ferreira/S1 Fotografia e Comunicação.
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Unidos de Padre Miguel Presents 2026 Carnival Theme and Synopsis

On the evening of Thursday, May 29, Unidos de Padre Miguel unveiled the synopsis for its 2026 Carnival parade. The school will take to the Marquês de Sapucaí with the theme “Kunhã-Eté: The Sacred Breath of Jurema”, a tribute to the Indigenous warrior Clara Camarão — a symbol of courage, leadership, and female resistance during Brazil’s colonial era.

“We’re thrilled to welcome composers interested in bringing Clara Camarão’s story to life at Sapucaí. I’m sure we’ll have an amazing samba competition,” said UPM President Lara Mara.

“We already have our schedule set, and we’ll soon begin developing costume prototypes. We’re very excited about this theme and confident we’ll have a great samba,” added Carnival Director Cícero Costa.

The carnival designer will be available on June 14, 21, 28 and July 19 to answer questions from lyricists about the theme.

“We’ve reserved four sessions to clarify doubts and ensure our poets can produce exceptional sambas. We’re very confident and happy with the process,” said carnival designer Lucas Milato.

Samba submissions are scheduled for July 26, with the competition starting on August 8.

In 2026, Unidos de Padre Miguel will be the fifth school to perform on Carnival Friday, competing for the championship and aiming for a return to the Special Group.

Mônica Marinho
Communications – GRES Unidos de Padre Miguel
Photo Credit: Fausto Ferreira/S1 Fotografia e Comunicação
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2026 Theme Synopsis – Unidos de Padre Miguel

Kunhã-Eté – The Sacred Breath of Jurema
Carnival Designer: Lucas Milato
Writers and Synopsis: Clark Mangabeira and Victor Marques

Prelude

In 2026, Unidos de Padre Miguel turns its parade into a whirlwind of time, myth, and memory. The theme “Kunhã-Eté – The Sacred Breath of Jurema” is a fictionalized and carnavalized tribute to the Indigenous heroine Clara Camarão — a symbol of Potiguara strength that transcends centuries, blending ancestry, spirituality, and resistance.

The parade will unfold in three major narrative segments. The first begins with Clara’s enchanted birth, foretold by a Shaman during a Toré and Jurema trance. The prophecy reveals her as an arrowed child of the Water Mother, born in the Potengi River to become a warrior-heroine.

The second segment delves into Kunhã-Eté’s historical feats, highlighting her three major battles against Dutch invaders: escorting families to Porto Calvo in the 1630s; leading women armed with boiling water and pepper in the 1646 Battle of Tejucupapo; and finally, standing alongside her husband Filipe Camarão (Poti) in the First Battle of Guararapes in 1648.

In the third and final segment, the theme explores Clara’s transformation into a sacred entity who inhabits Juremá, living among the enchanted, eternalized as a guardian of her people, the forest, and their collective memory. Clara is not only remembered — she is re-enchanted during Carnival as a living myth pulsing through Potiguara maracás and the drums of Vila Vintém.

SINOPSE 2026 – UPM

Kunhã-Eté – O sopro sagrado da Jurema
Carnavalesco: Lucas Milato
Enredistas e sinopse: Clark Mangabeira e Victor Marques
Prelúdio

Em 2026, a Unidos de Padre Miguel faz do seu cortejo um redemoinho de tempo, mito e
memória: o enredo “Kunhã-Eté – O Sopro Sagrado da Jurema” é uma homenagem
ficcionalizada e carnavalizada à heroína indígena Clara Camarão, símbolo da força
potiguara que atravessa séculos, combinando ancestralidade, espiritualidade e resistência. O
desfile será dividido em três grandes setores narrativos. O primeiro setor dá início à saga
com o nascimento encantado de Clara, evocando a profecia do Xamã que, em transe de Toré
e Jurema, anuncia sua vinda ao mundo flechada pela Mãe D’Água e banhada nas águas do
Potengi, onde nasceu, para ser heroína guerreira. O segundo setor adentra os feitos
históricos da Kunhã-Eté, exaltando suas três grandes participações em batalhas contra
invasores holandeses: a missão de escolta de famílias a Porto Calvo na década de 1630; a
Batalha de Tejucupapo, em 1646, quando liderou mulheres armadas de coragem, água
fervente e pimenta; e, por fim, a Primeira Batalha dos Guararapes, em 1648, ao lado do
esposo Filipe Camarão (Poti), enfrentando os invasores. No terceiro e último setor, o enredo
mergulha no encantamento de Clara — sua transformação em entidade sagrada que habita a
Juremá, onde vive entre os encantados, eternizada como guardiã do povo, da floresta e da
história. Clara não é apenas lembrada: ela é reencantada no carnaval como mito que pulsa
entre os maracás potiguaras e os tambores da comunidade da Vila Vintém.

Sinopse

I

É tudo mito.
Desde tempos imemoriais, dança-se o Toré.
Toré é roda, é círculo, é sagrado.
Toré é vida em espiral, acendendo o mundo.
É redemoinho de vento e de mata, que traz à vida uma nova filha potiguara.
Vozes da pedra, da água, do tempo, do encanto.
Quando o maracá canta, o passado responde.
Quando a noite cai espessa, os Potiguaras dançam em círculo ao som dos maracás.
É tempo de nascimento, de passar o sangue vermelho à nova kunhã.

No Toré, ritual sagrado e coletivo, o mundo toma forma e ancestralidade.
A vida de uma kunhã revela-se como a vida da comunidade inteira, fortalecida na folha nova.
Cocar é cabeça. Pintura é o corpo. Maracá é o pé. Jurema é a alma.
É o sopro de Tupã vertendo a seiva dos troncos velhos às ramas novas, raízes potiguaras que
alimentam os mais novos.
Nasce a Kunhã-Eté sob a fumaça do Xamã, na mistura dos mistérios do cachimbo, entre goles
da Jurema sagrada, ponte entre mundos, via dos espíritos e encantados, no Rio Potengi.
Na fumaça, os caminhos se revelam. No tempo, a profecia toma forma.
Sopro é reza.
E a menina vive no Toré embebido em Jurema, vida que atravessa os tempos.
À luz, nos braços do Xamã, a criança é lavada nas águas vermelhas de urucum, tingida de
ancestralidade potiguara.
Quando tudo se junta no Toré, não é apenas um ritual: é o povo inteiro pulsando no mesmo
corpo encantado.
Então, o Xamã vê surgir, imensa, a Mãe D’Água, que a flecharia.
Flechar é ver além, é despertar com o coração.
O mundo estremeceu.
Porque a Mãe d’Água só flecha quem precisa acordar.
Ela vem, perfuma a roda, sopra com doçura e o coração, de repente, abre-se como flor.
Ali, na miração, aprende-se que a água tem raiz, que lágrima é canto, e que corpo pode ser
canoa.
Fez-se a profecia.
A menina guerreira nasceu para trazer paz potiguara contra os brancos, pela força do sangue e
da vontade.
Não se dobraria a homem algum.
Como a mata, cresceria por onde ninguém esperava.
Como o rio, encontraria sempre um caminho.
Como floresta espessa, seria indecifrável.
Ao contrário, decifraria como vencer.

II

Sob a dominação branca portuguesa, crescia a kunhã, sem jamais deixar de ser sangue vivo e
rebelde — ancestralidade pulsante contra a colonização.
Tupã e Mãe D’Água protegiam seu espírito, em nome dos ancestrais e encantados,
sustentando a seiva vital da pequena nobre guerreira.
A força da floresta corria em suas veias.
Seu nome veio dos invasores da fé, mas fez-se história com ele.

Kunhã Clara.
Clara Guerreira.
Clara Camarão!
Casada com Poti, ela lutaria, indomável, pela liberdade dos seus.
E venceria os leões e as tulipas das bandeiras holandesas.
A lança de Clara cortava mais fundo que qualquer espada europeia.
Não o faria pelos colonizadores.
Faria pelos seus, pelo sangue potiguara.
Sangue do seu nome batizado, eterno.
Clara Camarão, que domaria os leões e venceria guerras.
E três seriam as vitórias:
A primeira, salvando famílias em fuga para Porto Calvo.
A segunda, com água fervente e pimenta, sopradas pelo vento em caminhos traçados por
mulheres, para defender a comunidade de Tejucupapo.
A terceira, nos Guararapes, salvando o povo inteiro.
Três batalhas, um só grito: “Por nós!”
Os leões e as tulipas partiriam.
Porque é do sangue potiguara que brota a vitória.
Clara lutava como reza: de olhos firmes, com a alma em pé.
Pelos seus, nunca pelos invasores.

III

Clara pagaria com a dor da ausência de Poti.
Adeus, guerreiro.
Mas mesmo rasgada das páginas da história, dançaria no Toré da memória.
No doce gole de Jurema, ela se encantaria.
Quem se entrega à Jurema não morre — se transforma.
Venceria outra batalha: a do esquecimento.
E, flechada que fora pela Mãe D’Água, dobrar-se-ia ao mundo dos encantados.
Jurema sagrada e Clara gravada nos livros de aço da memória.
Encantada e mulher guerreira, Kunhã-Eté no sopro sagrado da Jurema rumo à eternidade.
Habitaria para sempre as matas e águas sagradas.
Ao lado do Pai do Mangue, de Flozinha, Haja-Pau, do Gritador e de tantos outros que vivem
nas Igrejas Velhas, onde se bebe e vive a Jurema.
Jurema dos seus.
Ancestralidade potiguara presente.
Na mata, seu nome é sussurro.

No Toré, seu nome é canto.
Na história, seu nome é flecha.
Eis a visão.
Eis a profecia.
Eis o mito.
E o Xamã, daquele encontro com a Mãe D’Água, entendeu: tudo o que já foi, seria.


Hoje, a Vila Vintém se encanta!
Porque o Brasil é terra indígena que tem Dona.
Dona Clara Camarão, cuja lança crava a memória e a consagra como heroína potiguara
brasileira.

Glossário:
Kunhã-eté – Na língua tupi, “Kunhã” significa mulher. “-Eté” é um sufixo de intensidade,
que pode ser traduzido como verdadeira ou genuína. Kunhã-Eté é, assim, a mulher verdadeira,
mulher autêntica. No contexto da mitologia potiguara, ela representa a guerreira espiritual e
ancestral, portadora de sabedoria e força, que nasce do Toré e da Jurema como filha da
floresta, da água e do povo.
Toré – é o ritual sagrado dos povos indígenas do Nordeste, especialmente entre os Potiguaras,
onde se canta, dança e toca maracá em círculo. É prática espiritual, celebração da
ancestralidade e conexão com os encantados.
Tejucupapo – localidade de Pernambuco onde, em 1646, ocorreu a Batalha de Tejucupapo,
quando mulheres indígenas e camponesas enfrentaram tropas holandesas com armas
improvisadas — como água fervente, pimenta e paus. No enredo, Tejucupapo representa o
símbolo da coragem feminina indígena e popular, um feito de resistência coletiva que ecoa
como mito e história.
Mãe D’Água – simbolicamente, no enredo, é a entidade mítica que habita os rios, mares e
nascentes. Na cosmologia potiguara, ela teria natureza encantada e feminina, ligada à
sabedoria ancestral, ao mistério das águas e ao poder de transformação. No enredo, ela
“flecha” a Kunhã-Eté, isto é, desperta sua missão espiritual e guerreira — flechar é chamar
alguém para o caminho do encantamento e da consciência.
Xamã – figura espiritual central dos povos indígenas, o Xamã é o mediador entre mundos,
curador, condutor de rituais, guardião das tradições e conhecedor das ervas e visões. No
enredo, é ele quem sopra a fumaça da Jurema, lê os sinais, anuncia a profecia e o nascimento
da Kunhã-Eté, e guia o povo no Toré — sendo a ponte entre o visível e o invisível.
Jurema –é uma planta sagrada usada em rituais de cura, miração e conexão com o mundo dos
espíritos e encantados.
Rio Potengi – é um rio localizado no atual estado do Rio Grande do Norte. Fontes sobre
Clara Camarão indicam que ela nasceu nas margens do Potengi e ali cresceu antes de se tornar
guerreira.

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2026 SYNOPSIS – UPM

Kunhã-Eté – The Sacred Breath of JuremaCarnival Designer: Lucas MilatoPlot Writers and Synopsis: Clark Mangabeira and Victor Marques

Prelude

In 2026, Unidos de Padre Miguel turns its parade into a whirlwind of time, myth, and memory: the theme “Kunhã-Eté – The Sacred Breath of Jurema” is a fictionalized and carnivalized tribute to the Indigenous heroine Clara Camarão, a symbol of Potiguara strength that spans centuries, blending ancestry, spirituality, and resistance. The parade will unfold in three major narrative sectors.

The first sector begins with Clara’s enchanted birth, evoking the prophecy of the Shaman who, in a Toré and Jurema trance, foresees her coming into the world, arrowed by the Water Mother and bathed in the waters of the Potengi River, born to become a warrior heroine.

The second sector enters the historical deeds of Kunhã-Eté, celebrating her three major roles in battles against Dutch invaders: the mission of escorting families to Porto Calvo in the 1630s; the Battle of Tejucupapo in 1646, where she led women armed with courage, boiling water, and pepper; and finally, the First Battle of Guararapes in 1648, fighting alongside her husband Filipe Camarão (Poti).

The third and final sector delves into Clara’s enchantment—her transformation into a sacred entity that inhabits the Jurema, living among the enchanted, eternalized as guardian of the people, the forest, and history. Clara is not merely remembered: she is re-enchanted in the Carnival as a myth pulsing among the Potiguara maracás and the drums of Vila Vintém.