Rio Innovation Week: In Search of Groundbreaking Treatments for Alzheimer’s, Brazilian Scientist Plans to Send “Mini Brains” into Space

Rio Innovation Week: em busca de tratamentos inéditos para Alzheimer, cientista brasileiro planeja levar “mini cérebros” ao espaço

Palestras sobre filosofia, desinformação na ciência, inteligência autoral e vida fora da Terra marcam a diversidade de temas do terceiro dia do evento
Uma missão 100% brasileira de cientistas-astronautas vai levar organoides cerebrais — conhecidos também como “mini cérebros”, cultivados em laboratório — para a órbita terrestre. Sob a liderança do professor da Universidade da Califórnia em San Diego e neurocientista, Alysson Muotri, o experimento vai usar a microgravidade para acelerar o envelhecimento desses modelos e decifrar mecanismos de doenças neurológicas, como Alzheimer, autismo e síndrome de Rett (um distúrbio neurológico raro que causa graves dificuldades no desenvolvimento motor e cognitivo). Para estudar um cérebro com Alzheimer, por exemplo, seria preciso esperar 70 ou 80 anos. Muotri já recruta pacientes brasileiros com Rett para testar terapias experimentais que conseguiram reverter características associadas à síndrome.

“Reconstruir o cérebro em laboratório não é igual a construir um cérebro no útero humano. E fica a pergunta ética: será que esses mini cérebros são conscientes como o cérebro humano?”, provocou o palestrante.

A motivação pelo estudo partiu da experiência pessoal de Muotri, que é pai de um menino com autismo severo. Em seu laboratório, a aposta é que a ciência espacial trará respostas em tempo recorde para desafios que, até pouco tempo atrás, pareciam impossíveis. O projeto recebeu aporte de US$ 150 milhões do filantropo norte-americano Denny Sanford, fundador do First Premier Bank, e promete abrir novas fronteiras na medicina regenerativa.

Afinal de contas: há vida fora da Terra? Talvez sim, talvez não

Referência em Astrobiologia, o físico e astrônomo Adam Frank abordou, com viés científico, um tema que nem sempre é levado muito a sério: a existência de vida fora da Terra. Frank explicou que a dúvida se estamos sozinhos ou se há vida fora do universo é uma pergunta muito antiga, do tempo de Aristóteles e Demócrito. Apesar disso, o campo da Astrobiologia só começou a se estruturar a partir da década de 1950. “Não tínhamos dados até então, mas depois dessa data alguns eventos começaram a provocar perguntas fundamentais para entender essa questão”, afirmou, referindo-se ao famoso Paradoxo de Fermi. “Se a vida e a inteligência são algo comum, porque ainda não encontramos os alienígenas?”

Além disso, outras revoluções mudaram a nossa percepção de vida fora da Terra, segundo o professor, como a descoberta de exoplanetas a partir de 1995. “Todas as estrelas têm planetas e já são mais de 6 mil exoplanetas confirmados. Uma em cada cinco estrelas tem exoplanetas em zona habitável”, acrescentou.

Frank falou sobre a importância das bioassinaturas, as assinaturas biológicas, como gases na atmosfera que indicam a presença de vida em exoplanetas. “Uma das coisas mais importantes que a ciência pode fazer é descobrir a vida. A evolução produz muitas formas. A vida tem que usar a física e a química para resolver seus problemas. Quando olhamos para o passado, vemos que um pequeno detalhe pode mudar a evolução”, concluiu.

Mulheres cientistas debatem como combater a desinformação

Com humor, risadas e reflexões sérias sobre desinformação, três mulheres cientistas subiram ao palco para discutir como fazer a ciência vencer a corrida contra as fake news. No painel mediado por Livia Rodrigues, cofundadora do Pretas na Ciência e da Rede AfroSOU, estavam a bióloga Ana Bonassa e a farmacêutica Laura Marise, do canal Nunca Vi 1 Cientista, e a bióloga e divulgadora científica Mari Krüger.

Elas compartilharam estratégias para ocupar as redes sociais com informação confiável, quebrando estereótipos e mostrando que a ciência também pode ser leve e divertida. A proposta é simples: se a desinformação está online, o conhecimento científico também precisa estar — de forma criativa e capaz de prender a atenção do público.

“A ciência é um grande ‘depende’. A gente tem a fama de falar o que as pessoas não querem ouvir. Precisamos de cada vez menos influenciadores que se acham experts e mais experts dispostos a influenciar”, afirmou Mari, que defende o letramento digital como ferramenta essencial para diminuir a desinformação. Para Ana, o jogo é desigual: “É injusto o nosso trabalho, provar por A + B, enquanto quem cria [a fake news] já está lá no décimo conteúdo viralizado”. Laura finalizou com um alerta sobre as novas dinâmicas de consumo de informação: “As pessoas estão usando cada vez mais o TikTok como fonte de pesquisa, e muitas vezes encontram informações falsas. Precisamos de mais gente disposta a trazer informação”.

Inteligência Autoral e o processo de criação

No painel “IA – Inteligência Autoral”, mediado por Paula Taitelbaum, as escritoras Carla Madeira e Socorro Acioli refletiram sobre a sensibilidade e memória humana frente ao desenvolvimento de máquinas e inteligência artificial. Passando por suas trajetórias, as autoras contaram seus processos de criação e como se tornaram escritoras.

“Não sei necessariamente se já criei algo diferente de tudo que já existe. Mas no processo que eu já tive, quando você encontra uma solução, você experimenta um alinhamento. Você sabe que achou. Você sabe quando acha a palavra, a ideia ou fecha um livro. É um sentimento de adesão, como se fosse um alinhamento entre razão, emoção e energias… Esse achado pode não ser original, apenas uma solução que você de fato encontrou pelo seu caminho”, explicou Carla Madeira.

Já Socorro Acioli busca nos fatos reais a inspiração para o seu processo de criação. “Sou jornalista de formação e os meus três romances partiram de histórias reais. Meu processo sempre vem de histórias que eu li e ouvi. Tenho vontade de falar desse mundo que nos assusta ou nos encanta. E escrevo porque a história fica na minha cabeça, se eu não escrever eu enlouqueço. Para mim, a criação só se realiza quando eu escuto os relatos das pessoas que leram”, afirmou Acioli.

Gleiser e Karnal promovem encontro da ciência com a filosofia

Marcelo Gleiser e Leandro Karnal dividiram o palco e lotaram o auditório do Rio Innovation Week para provocar o público com a pergunta: “E se o sentido da vida fosse a próxima pergunta?”. No painel, ciência e filosofia se encontraram para explorar temas como a era da opinião, a relevância dos questionamentos, da análise crítica e dos direitos.

“Eu tenho direitos e gostos. Mas o problema é se eu quiser levar os meus direitos e gostos como verdade. Você tem direito à sua opinião sobre o seu time, mas vacinas, vida humana, gênero e respeito à mulher são questões de caráter e ética. A ciência se expande com os dados e com a quebra de paradigma”, ressaltou Karnal.

“O questionamento é fundamental para se chegar à verdade. A verdade na ciência é construída através de pares, com experimentos e observações. E o questionamento faz parte dessa verdade”, defendeu Gleiser.

Sobre o Rio Innovation Week

O Rio Innovation Week é o maior evento global de tecnologia e inovação. Em 2024, reuniu grandes nomes do ecossistema de tecnologia e inovação, além de membros dos diferentes setores da economia nas 37 conferências que fizeram parte do projeto. Em 2025, o evento acontece entre os dias 12 e 15 de agosto, no Píer Mauá, na cidade do Rio de Janeiro. Com 60 conferências e 40 palcos, o projeto promove uma grande oportunidade de negócios e experiências únicas pautadas pela inovação e tecnologia. Com o compromisso de gerar reflexão e impacto real para transformar realidades, o Rio Innovation Week é um evento que vai além do estímulo à inovação e ao empreendedorismo. O projeto tem atuação estratégica, pautada pelos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, garantindo assim a responsabilidade na promoção de um futuro inclusivo e economicamente sustentável.

Promovemos um ambiente de oportunidades, negócios, experiências e conteúdos, pautados em: comprometimento com a diversidade, equidade e inclusão; valorização e incentivo à multiplicidade de ideias e opiniões; fomento ao pluralismo e diversidade nas palestras; busca por representatividade em termos de gênero, raça, cor, etnia, orientação sexual, identidade de gênero, pessoas com deficiência, idades, classes sociais, entre outras características da sociedade atual; promoção de um ambiente inclusivo e com oportunidades iguais de fala para todos.

Serviço

RIO INNOVATION WEEK 2025

Quando: 12 a 15 de agosto de 2025

Onde: Pier Mauá- Rio de Janeiro- Brasil –

AV. RODRIGUES ALVES, 10 | PRAÇA MAUÁ, RIO DE JANEIRO | RJ, 20081-250

Ingressos: Sympla

FSB Comunicação Rua Visconde De Piraja, 547 Rio De Janeiro, RJ 22410-003 Brazil

Credito foto Ag. Enquadrar/ Divulgação RIW

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Rio Innovation Week: In Search of Groundbreaking Treatments for Alzheimer’s, Brazilian Scientist Plans to Send “Mini Brains” into Space

Lectures on philosophy, misinformation in science, authorial intelligence, and life beyond Earth highlight the diversity of topics on the third day of the event.

A 100% Brazilian mission of scientist-astronauts will send brain organoids—also known as “mini brains,” grown in the lab—into Earth’s orbit. Led by Alysson Muotri, professor at the University of California, San Diego, and neuroscientist, the experiment will use microgravity to accelerate the aging of these models and decode mechanisms of neurological diseases such as Alzheimer’s, autism, and Rett syndrome (a rare neurological disorder that causes severe motor and cognitive developmental difficulties). To study an Alzheimer’s-affected brain on Earth, one would have to wait 70 or 80 years. Muotri is already recruiting Brazilian Rett patients to test experimental therapies that have managed to reverse characteristics associated with the syndrome.

“Rebuilding the brain in a lab is not the same as building a brain in the human womb. And there’s the ethical question: are these mini brains conscious like the human brain?” challenged the speaker.

The motivation for the study comes from Muotri’s personal experience as the father of a boy with severe autism. In his lab, the bet is that space science will deliver answers in record time to challenges that, until recently, seemed impossible. The project received $150 million from U.S. philanthropist Denny Sanford, founder of First Premier Bank, and promises to open new frontiers in regenerative medicine.

After all: is there life beyond Earth? Maybe yes, maybe no

A leading figure in Astrobiology, physicist and astronomer Adam Frank approached a topic that is not always taken seriously from a scientific perspective: the existence of life beyond Earth. Frank explained that the question of whether we are alone or whether there is life beyond the universe is ancient, dating back to Aristotle and Democritus. Nevertheless, the field of Astrobiology only began to take shape in the 1950s. “We had no data until then, but after that, some events began to provoke fundamental questions to understand this issue,” he said, referring to the famous Fermi Paradox: “If life and intelligence are common, why haven’t we found aliens yet?”

Other revolutions have changed our perception of life beyond Earth, according to Frank, such as the discovery of exoplanets in 1995. “All stars have planets, and there are now over 6,000 confirmed exoplanets. One in five stars has exoplanets in the habitable zone,” he added.

Frank also spoke about the importance of biosignatures, such as gases in the atmosphere that indicate the presence of life on exoplanets. “One of the most important things science can do is discover life. Evolution produces many forms. Life has to use physics and chemistry to solve its problems. When we look to the past, we see that a small detail can change evolution,” he concluded.

Women Scientists Discuss How to Combat Misinformation

With humor, laughter, and serious reflections on misinformation, three women scientists took the stage to discuss how science can win the race against fake news. In a panel moderated by Livia Rodrigues, co-founder of Pretas na Ciência and Rede AfroSOU, biologist Ana Bonassa, pharmacist Laura Marise (from the channel “Nunca Vi 1 Cientista”), and biologist and science communicator Mari Krüger shared strategies to fill social media with reliable information, breaking stereotypes and showing that science can also be light and fun.

Their proposal is simple: if misinformation is online, scientific knowledge must also be there—creatively and engagingly.

“Science is a big ‘it depends.’ We have a reputation for saying what people don’t want to hear. We need fewer influencers who think they’re experts and more experts willing to influence,” said Mari, who advocates for digital literacy as an essential tool to reduce misinformation. For Ana, the game is unfair: “It’s unfair that our work has to prove everything with hard evidence while those who create fake news are already on their tenth viral post.” Laura closed with a warning about new information consumption habits: “People are increasingly using TikTok as a research source, often finding false information. We need more people willing to bring the truth.”

Authorial Intelligence and the Creative Process

In the panel “AI – Authorial Intelligence,” moderated by Paula Taitelbaum, writers Carla Madeira and Socorro Acioli reflected on human sensitivity and memory in the face of machines and artificial intelligence. Sharing their personal journeys, they discussed their creative processes and how they became writers.

“I’m not sure if I’ve ever created something completely different from what already exists. But in my process, when you find a solution, you feel an alignment. You know you’ve found it. You know when you find the word, the idea, or finish a book. It’s a feeling of harmony, as if reason, emotion, and energy align… This discovery may not be original, just a solution you truly found along your path,” explained Carla Madeira.

Socorro Acioli draws inspiration from real-life events: “I’m a journalist by training, and my three novels came from real stories. My process always starts with stories I’ve read or heard. I want to speak about this world that scares or enchants us. And I write because the story stays in my head—if I don’t write it down, I’ll go crazy. For me, creation only happens when I hear the feedback from readers,” she said.

Gleiser and Karnal Bring Science and Philosophy Together

Marcelo Gleiser and Leandro Karnal shared the stage at the Rio Innovation Week, filling the auditorium, and challenged the audience with the question: “What if the meaning of life were the next question?” Science and philosophy came together to explore topics such as the era of opinion, the importance of questioning, critical analysis, and rights.

“I have rights and preferences. The problem is when I want to take my rights and preferences as truth. You have the right to your opinion about your soccer team, but vaccines, human life, gender, and respect for women are matters of character and ethics. Science expands with data and paradigm shifts,” said Karnal.

“Questioning is fundamental to arriving at the truth. In science, truth is built through peer review, experiments, and observations. And questioning is part of that truth,” argued Gleiser.

About Rio Innovation Week

Rio Innovation Week is the largest global event for technology and innovation. In 2024, it brought together leading figures from the tech and innovation ecosystem, as well as members from various sectors of the economy, across 37 conferences. In 2025, the event will take place from August 12–15 at Píer Mauá, in Rio de Janeiro. With 60 conferences and 40 stages, it offers a unique opportunity for business and experiences driven by innovation and technology.

Committed to generating reflection and real impact to transform realities, Rio Innovation Week goes beyond fostering innovation and entrepreneurship. The project follows a strategic approach aligned with the UN Sustainable Development Goals (SDGs), ensuring responsibility in promoting an inclusive and economically sustainable future.

The event promotes an environment of opportunities, business, experiences, and content, guided by: a commitment to diversity, equity, and inclusion; valuing and encouraging a multiplicity of ideas and opinions; fostering pluralism and diversity in talks; striving for representation in terms of gender, race, color, ethnicity, sexual orientation, gender identity, people with disabilities, age groups, social classes, and other characteristics of today’s society; and promoting an inclusive environment with equal speaking opportunities for all.

Service

RIO INNOVATION WEEK 2025
When: August 12–15, 2025
Where: Pier Mauá – Rio de Janeiro – Brazil
Address: Av. Rodrigues Alves, 10 | Praça Mauá, Rio de Janeiro | RJ, 20081-250
Tickets: Sympla

FSB Comunicação
Rua Visconde de Pirajá, 547 – Rio de Janeiro, RJ 22410-003 – Brazil

Photo credit: Ag. Enquadrar / Rio Innovation Week Press

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