Mangueira selects sambas 103 and 105 for the final stage of the contest in Rio

*Mangueira escolhe sambas-enredo 103 e 105 para a etapa final do Concurso no Rio*
_Verde e Rosa realizou neste sábado uma grande festa em parceria com o governo do Amapá para a escolha do samba-enredo que pode se tornar o hino da escola em 2026_
_Parcerias de Verônica dos Tambores e de Francisco Lino se sagraram vencedoras da etapa do Amapá_
*MACAPÁ (AP)* – A Estação Primeira de Mangueira escolheu, na madrugada deste sábado para domingo (23/8), no Amapá, o samba-enredo do estado que fará parte da final da disputa do hino da escola para o próximo Carnaval. A composição Verônica dos Tambores, Piedade Videira, Laura do Marabaixo, Antonio Neto, Clóvis Júnior e Marcelo Zona Sul levou a melhor entre os participantes. A disputa entre os seis sambas inscritos foi transmitida ao vivo pelo YouTube da Mangueira.
“É muito bonito e potente ver a entrega do povo do Amapá ao nosso enredo, ao carnaval, ao samba”, declarou a presidente Guanayra Firmino. “Penso que essa energia diferente que experimentamos aqui tem a ver com a ancestralidade”, declara ela, referindo-se à história do estado e à forte presença de negros escravizados na região.
Cada samba teve direito a três passadas, duas delas com a bateria formada inteiramente por ritmistas locais. Sob o comando dos mestres Taranta Neto e Rodrigo Explosão, cem ritmistas tiveram a oportunidade de compor a bateria Verde e Rosa durante alguns ensaios e uma noite. As parcerias vencedoras vão receber uma ajuda do governo do Estado para financiar os custos da disputa que será realizada no Palácio do Samba, na tradicional quadra da Mangueira.
Apresentações de grupos locais e um show da cantora Karinah, musa e madrinha do programa social da escola e da própria agremiação também fizeram parte da programação que parou a cidade de Macapá.
A Mangueira recebeu 22 sambas concorrentes, sendo 16 do Rio de Janeiro e 6 do Amapá. Todas as obras estão disponíveis no canal oficial da agremiação no YouTube, com as respectivas letras e compositores. O calendário completo e demais informações estão disponíveis nas redes sociais da Verde e Rosa.
A Estação Primeira de Mangueira levará para a Marquês de Sapucaí no Carnaval de 2026 o enredo “Mestre Sacaca do Encanto Tucuju – O Guardião da Amazônia Negra”, que mergulha na história afro-indígena do extremo Norte do país a partir das vivências de Mestre Sacaca. O desfile é desenvolvido pelo carnavalesco Sidnei França e dá início ao triênio do centenário da agremiação.
De origem negra e indígena, cernes da formação do Amapá, Raimundo dos Santos Souza, personagem central da Verde e Rosa, apresenta os encantos que viveu no seu território. Ao ser apelidado como Sacaca, uma titulação xamânica, ele navegou pelos rios que cruzam a região Norte do Brasil, entrando em contato com diferentes populações tradicionais.
Mestre Sacaca tornou-se um personagem brasileiro de profundos saberes sobre o manuseio de ervas, seivas, raízes e elementos que compõem a Amazônia Negra amapaense. Utilizava seus conhecimentos no tratamento de doenças e do cuidado comunitário por meio de garrafadas, chás, unguentos e simpatias. Por isso, também ficou conhecido como “doutor da floresta” em diferentes cidades das terras Tucujus – expressão oriunda de um grupo indígena que habitava essa região, e que atualmente é utilizada para se referir ao povo desse estado.
Seguem as letras completas dos sambas-enredo vencedor da etapa do Amapá:
SAMBA nº103
Compositores: Verônica dos Tambores, Piedade Videira, Laura do Marabaixo, Antonio
Neto, Clóvis Júnior, Marcelo Zona Sul
Intérpretes: Verônica dos Tambores, Nina Rosa, Juan Briggs
Sacaca escutei uma voz
Era você, no meio de nós
Eu sou mangueira, na magia da floresta
A sabedoria que respeita a terra
O vento sopra o transe do pajé
Rompe a meia-noite, é ritual turé
Fumaça de tawari, o xamã babalaô
Num gole de kaxixi encantos revelou
Maré me leva nas águas do curipi
De quem sempre esteve aqui, waiãpis e caripunas
Pelo jari, esperança em cada olhar
Ribeirinho nunca deixa de sonhar
Entre os furos e buritis
Risca o amapazeiro, põe a seiva na cachaça
Cura o corpo, curandeiro, benzedeira cura a alma!
Preto velho “engarrafou” riquezas naturais
“caboco” não se esqueça dos saberes ancestrais!
Bebericando gengibirra com o mestre
“mar abaixo” “mar acima”, a gente segue
Saia florida,”sá dona”, no curiaú
A fé “encruza” no “em canto” tucujú
“é de manhã, é de madrugada”
“é de manhã, é de madrugada”
Couro de sucuriju no batuque envolvente
Quilombola da amazônia jamais se rende!
Eu vi… Em cada oração o corpo arrepiar
Bandeiras vibrando à luz do luar
Tambores se encontram cantando em louvor
Senti os sabores, aromas e cores
Nas mãos que moldam nossos valores
“meu preto”, da mata és o griô!
Ajuremou, deixa ajuremar
O samba é verde e rosa e guia meu caminhar
Ajuremou, deixa ajuremar
Cuidado, chegou mangueira, na ginga do Amapá
SAMBA nº105
Compositores: Francisco Lino, Hickaro Silva, Camila Lopes, Silmara Lobato, Bruno
Costa
Intérpretes: Bruno Costa, Silmara Lobato, Marcelo Stuart, Emerson Luise
Turé…
Quem invocou o ritual?
Eu trago a força ancestral Do Povo da floresta
Banzeiro de memórias
Navegam as histórias
Onde meu país começa
Remei, Remei a maré me levou
Pra revelar o que não vês a olho nu
Todo encanto Tucuju
Tem mandinga verde-rosa
Na Estação Primeira
Mangueira vem sambar
Benzi tua bandeira
Nesse “Rio” caudaloso de fé
Desce o morro banhada de axé
Contra todo o mal tem garrafada
Ervas e Flores pra dores curar
Tiro quebranto nas mãos sagradas
Lição de Preto Velho, Saravá!
Xamã, Doutor, Guardião, Babalaô
Saberes vibrando no tambor
Tem Marabaixo no “Encontro” ao luar…
Encantado folião na passarela
Coroado Rei do Laguinho à Favela
Mangueira chamou: “Sacaca!”
Minha voz ecoou na mata!
O meio do mundo é a nossa aldeia
Incorporou! A Amazônia é negra!
*Sobre a Estação Primeira de Mangueira:*
O Grêmio Recreativo Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira (ou simplesmente Estação Primeira de Mangueira) é uma tradicional escola de samba brasileira da cidade do Rio de Janeiro conhecida e admirada em todo o planeta. A agremiação, que tem nas suas cores (verde e rosa) uma de suas marcas registradas, acumula 97 anos de glórias e de histórias e é uma das mais importantes instituições culturais do Brasil. Seus símbolos, o surdo, a coroa, os ramos de louros e as estrelas podem ser vistos na bandeira da escola. Tornou-se um celeiro de bambas que despontou e inspirou lindas obras decantadas em todo o mundo. Foi fundada em 1928, no Morro da Mangueira, pelos sambistas Carlos Cachaça, Cartola, Zé Espinguela, Tia Fé, Tia Tomásia, entre outros. Sua quadra está sediada no bairro do mesmo nome. Detém vinte títulos do carnaval. Atualmente, é presidida por Guanayra Firmino, primeira mulher eleita presidente da Mangueira. (https://mangueira.com.br/)
Assessoria de imprensa:
Renata Rodrigues
Credito Fotos Fotos: Jorge Junior (Governo do Amapá)
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Mangueira selects sambas 103 and 105 for the final stage of the contest in Rio
The Green and Pink held a major celebration this Saturday in partnership with the Government of Amapá to choose the samba that may become the school’s anthem in 2026
The partnerships led by Verônica dos Tambores and Francisco Lino were crowned winners of the Amapá stage
MACAPÁ (AP) – Estação Primeira de Mangueira chose, in the early hours of Saturday to Sunday (Aug 23), in Amapá, the samba that will represent the state in the final round of the contest to decide the school’s anthem for the next Carnival. The composition by Verônica dos Tambores, Piedade Videira, Laura do Marabaixo, Antonio Neto, Clóvis Júnior, and Marcelo Zona Sul came out on top among the participants.
The contest, which featured six competing sambas, was broadcast live on Mangueira’s YouTube channel. “It is so beautiful and powerful to see the dedication of the people of Amapá to our storyline, to Carnival, to samba,” declared president Guanayra Firmino. “I believe this unique energy we experienced here has to do with ancestry,” she added, referring to the state’s history and the strong presence of enslaved Africans in the region.
Each samba was performed three times, two of them accompanied by a percussion section made up entirely of local musicians. Under the leadership of masters Taranta Neto and Rodrigo Explosão, one hundred drummers had the opportunity to form Mangueira’s bateria during rehearsals and the final night.
The winning partnerships will receive financial support from the state government to help fund the costs of the final stage, which will take place at the Palácio do Samba, Mangueira’s traditional headquarters in Rio.
The program also included performances by local groups and a concert by singer Karinah, muse and patron of the school’s social program, which brought the city of Macapá to a standstill.
Mangueira received 22 samba entries in total: 16 from Rio de Janeiro and 6 from Amapá. All compositions are available on the school’s official YouTube channel, along with their lyrics and composer credits. The full schedule and further information can be found on the Green and Pink’s social media.
For Carnival 2026, Estação Primeira de Mangueira will take to Marquês de Sapucaí the storyline “Mestre Sacaca do Encanto Tucuju – The Guardian of the Black Amazon”, which dives into the Afro-Indigenous history of Brazil’s far North through the life experiences of Mestre Sacaca. The parade, developed by carnival designer Sidnei França, opens the school’s centennial triennium.
Of both Black and Indigenous heritage—roots of Amapá’s cultural foundation—Raimundo dos Santos Souza, the central figure of the Green and Pink’s storyline, embodies the enchantments of his homeland. Nicknamed “Sacaca,” a shamanic title, he navigated the rivers of northern Brazil, engaging with different traditional communities.
Mestre Sacaca became a legendary Brazilian figure with deep knowledge of herbs, resins, roots, and other elements of Amapá’s Black Amazon. He used this wisdom to treat illnesses and care for the community through herbal infusions, teas, ointments, and traditional remedies. For this reason, he also became known as the “doctor of the forest” in several towns across the Terras Tucujus—a term originally used by an Indigenous group that once inhabited the region and is now used to refer to the people of Amapá.
Complete lyrics of the winning sambas from the Amapá stage:
SAMBA No. 103
Composers: Verônica dos Tambores, Piedade Videira, Laura do Marabaixo, Antonio Neto, Clóvis Júnior, Marcelo Zona Sul
Singers: Verônica dos Tambores, Nina Rosa, Juan Briggs
Sacaca, I heard a voice
It was you, among us
I am Mangueira, in the magic of the forest
The wisdom that respects the land
The wind blows the shaman’s trance
Midnight breaks, it is a turé ritual
Smoke of tawari, the babalaô shaman
With a sip of kaxixi, enchantments revealed
The tide carries me on the waters of the Curipi
Of those who have always been here: Waiãpis and Caripunas
Through the Jari, hope shines in every gaze
Riverside people never stop dreaming
Among the channels and buritis
Scratch the amapazeiro, mix the sap in cachaça
Healer cures the body, blessing women heal the soul!
Preto Velho “bottled up” natural riches
“Caboco,” never forget the ancestral knowledge!
Sipping gengibirra with the master
“Downriver” “upriver,” we keep going
Floral skirts, “Sá Dona,” in Curiaú
Faith intertwines in the Tucuju enchantment
“It’s morning, it’s at dawn”
“It’s morning, it’s at dawn”
Snake leather drums in the captivating beat
Quilombolas of the Amazon never surrender!
I saw… in every prayer, bodies shiver
Flags waving under the moonlight
Drums unite, singing in praise
I felt the flavors, aromas, and colors
In the hands that shape our values
“My Black one,” of the forest you are the griot!
Ajuremou, let ajuremar
Samba is Green and Pink and guides my path
Ajuremou, let ajuremar
Beware, Mangueira has arrived, with Amapá’s swing
SAMBA No. 105
Composers: Francisco Lino, Hickaro Silva, Camila Lopes, Silmara Lobato, Bruno Costa
Singers: Bruno Costa, Silmara Lobato, Marcelo Stuart, Emerson Luise
Turé… who invoked the ritual?
I bring the ancestral strength
Of the People of the forest
Waves of memories
Navigate the stories
Where my country begins
Row, row, the tide carried me
To reveal what cannot be seen with the naked eye
All the enchantment of the Tucuju
Has Green-and-Pink mandinga
At Estação Primeira
Mangueira comes to samba
Bless your flag
In this mighty “River” of faith
Descending from the hill bathed in axé
Against all evil, there are bottled remedies
Herbs and flowers to heal pain
The sacred hands remove curses
Lesson of the Preto Velho, Saravá!
Shaman, Doctor, Guardian, Babalaô
Wisdom vibrating in the drum
Marabaixo shines at the “Gathering” by moonlight…
An enchanted reveler on the runway
Crowned King from Laguinho to the Favela
Mangueira called: “Sacaca!”
My voice echoed through the forest!
The center of the world is our village
It came through! The Amazon is Black!
About Estação Primeira de Mangueira:
The Grêmio Recreativo Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira (or simply Estação Primeira de Mangueira) is a traditional Brazilian samba school from Rio de Janeiro, admired worldwide. The school, whose colors (green and pink) are one of its trademarks, boasts 97 years of victories and stories and stands as one of the most important cultural institutions in Brazil. Its symbols—the bass drum (surdo), crown, laurel branches, and stars—are displayed on its flag.
Mangueira has been a cradle of great samba composers and musicians who inspired works celebrated across the globe. Founded in 1928 on the Morro da Mangueira by samba legends such as Carlos Cachaça, Cartola, Zé Espinguela, Tia Fé, Tia Tomásia, among others, its headquarters remain in the neighborhood that bears its name. The school holds twenty Carnival titles.
Currently, it is presided over by Guanayra Firmino, the first woman ever elected president of Mangueira.
https://mangueira.com.br/
Press Office: Renata Rodrigues
Photo Credit: Jorge Junior (Government of Amapá)
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