Com o batidão do funk, Bloco da Favorita reúne milhares de foliões no Centro do Rio*

Com o batidão do funk, Bloco da Favorita reúne milhares de foliões no Centro do Rio*
_Sábado contou ainda com Céu na Terra homenageando Jorge Ben Jor e Pérola da Guanabara_




O Carnaval de Rua do Rio de Janeiro contou com uma série de desfiles que envolveram diferentes ritmos e públicos por toda a cidade neste sábado (7). No Circuito Preta Gil, no Centro do Rio, o Bloco da Favorita dominou as ruas da Rua Primeiro de Março, transformando o local em um verdadeiro baile funk a céu aberto com o batidão que não deixou ninguém ficar parado. O trio puxou sucessos antigos e atuais e reuniu milhares de foliões que capricharam nas fantasias, com muito brilho, arcos, óculos escuros e glitter.

O desfile trouxe como grande destaque o produtor Hitmaker, responsável por alguns dos maiores sucessos do funk e pop, entre elas: “Sei  Que Tu Me Odeia”, “Ai Papai” e “Gostosin”. “Eu sempre compus minhas músicas pensando na energia das pessoas. Então quando montei o setlist para o desfile eu fechava os olhos e imaginava as pessoas dançando, pulando, cantando no desfile. Agora mesmo eu estou todo arrepiado  só de sentir essa energia. O Carnaval do Rio é o maior do mundo e estar aqui é só felicidade”, vibrou Hitmaker.

O  Bloco da Favorita contou ainda com participações especiais de Pocah, Puterrier, Maneirinho, Rodrigo da CN e Ramon Sucesso, além da DJ Marisa D’Amato, que fez o aquecimento do público desde as primeiras horas da manhã.

“Cada projeto que faço nasce do desejo de criar experiências inesquecíveis para o público, com alegria, música e liberdade. O Bloco da Favorita é sobre isso. Se permitir e celebrar a vida do jeito mais bonito possível”, comentou Carol Sampaio, empresária e criadora do Bloco.

A cantora Pocah falou que considera o funk um grande pilar do Carnaval de rua. “Funk é festa, alegria e diversidade. Eu amo o Carnaval e, se no meu rolê de Carnaval não tocar funk, tem alguma coisa errada. Carnaval é uma grande festa, e o funk tem tudo a ver com isso. Tem em casa, aqui no Bloco da Favorita, onde eu já fiz tantas edições — inclusive, o Bloco da Favorita é um grande aliado do funk. Hoje tem eu, Maneirinho e Puterrier; lá atrás, esse bloco abriu as portas para mim. Estou muito feliz de estar aqui e, este ano, como musa do bloco”, comemorou.

Antônio Rangel e Maiara Souza vieram de Vicente de Carvalho especialmente para o Favorita. Namorados há três anos, os dois se conheceram num baile funk e elegeram o bloco como o preferido no carnaval de rua. “A gente prefere blocos menores, mas amamos funk e sempre fazemos questão de vir pro desfile”, disse Maiara. “O funk faz parte da nossa história, nosso primeiro beijo foi num baile. Então estar aqui é muito especial pra gente”,  completou Antônio.

Céu na Terra encanta com homenagem a Jorge Ben Jor

Em Santa Teresa, o tradicional Céu na Terra, que desfila há 25 anos, encantou o público com um cortejo que contou com bonecos gigantes, pernaltas e cores marcantes que tomaram as ladeiras do bairro logo cedo. A edição deste ano fez uma homenagem ao ícone da música brasileira Jorge Ben Jor, precursor do sambalanço e autor de clássicos como “Taj Mahal”, “Fio Maravilha” e “País Tropical”, que em março completará 87 anos.

À frente da tradicional réplica do bondinho feita de material reciclado, um boneco gigante do Jorge Ben Jor protagonizava o cortejo sob o cenário do casario antigo. Ao lado dele, boneca da rainha do rock, Rita Lee, que também foi eternizada na festa do Céu Na Terra, só que em 2025.

“Nós temos um carinho especial por esse grande nome da música brasileira. A ideia era introduzir um pouco do sambalanço, daquele samba-rock, que tem essa característica diferente. Estamos fazendo uma interação com o público também, temos estações no decorrer do bloco, temos a País Tropical, São Jorge, Taj Mahal, entre outras, para fazer uma grande festa. Jorge Ben Jor foi uma escolha natural mesmo, com carinho e afinidade”, afirmou Péricles Monteiro, um dos coordenadores do bloco.

O repertório incluiu ainda faixas como “Os Alquimistas Estão Chegando”, “Domingo 23”, “Spirogyra” e “Chove Chuva”, entoadas pelo público ao longo do cortejo. A atmosfera lúdica e festiva marcou mais um capítulo da história do bloco, que retorna às ruas no próximo sábado de Carnaval, dia 14, com concentração prevista a partir das 7h no Largo dos Guimarães.

Tocando chocalho no bloco acompanhada de suas duas filhas, Ana Vargas, uma das fundadoras da agremiação,  afirmou que o legado do Céu na Terra está nessa relação com o Carnaval de rua, que  passa de geração em geração.

“Eu estou muito emocionada. É muito bonito continuar vivendo isso e agora acompanhada das minhas filhas. Esse é um bloco que deixa um legado do carnaval de rua da cidade. Eu acho que a pessoa que é carnavalesca já está com meia alma salva. Fico muito feliz de andar aqui, de achar aqui toda essa alegria espontânea”, afirmou Ana, que adorou ver Jorge Ben Jor como homenageado deste ano.

”Ele é uma referência para todos nós e tem tudo a ver com a energia do bloco, com a alegria, com as cores, com as imagens que vemos aqui. A música dele é cheia de símbolos e combina perfeitamente com esse espírito”, completou.

A fundadora do bloco ainda falou que considera o Céu na Terra como um dos grandes precursores desse retorno forte do Carnaval de rua.  “Basta olhar essa multidão acompanhando o desfile: todo mundo alegre, colorido, vivendo um Carnaval leve, que remete às tradições. A gente toca marchinhas, resgata a memória, mas também traz coisas novas. Enfim, é maravilhoso, é lindo”, concluiu.

O Bloco Estratégia também homenageou Jorge Ben Jor, celebrando os 50 anos do álbum “África Brasil”. Pela primeira vez, o Estratégia desfilou no Posto 0, na Glória, ocupando a orla de frente para o mar, com vista para o Pão de Açúcar. Clássicos como “Umbabarauma”, “Meus Filhos, Meu Tesouro”, “Zumbi” e “Taj Mahal” ganharam novos arranjos da Bateria Cabulosa.

“Em 1975, Jorge funde seu próprio som à guitarra elétrica, misturando o suingue clássico ao peso do rock’n roll — exatamente o que o Estratégia gosta de fazer. Essa é uma referência fundamental para o bloco e por isso a homenagem”, explica Leo Santos, fundador do Bloco Estratégia. Outro homenageado foi Luiz Melodia, que faria 75 anos em 2026. Duas músicas do artista foram inseridas no repertório.

Pérolas da Guanabara

Na Ilha de Paquetá, o Pérola da Guanabara recebeu foliões desde as primeiras horas da manhã. Durante a concentração do bloco, um momento espontâneo marcou a saída rumo a Paquetá. Renan, que comemorava seus 34 anos, abriu um espumante antes da barca partir e transformou o próprio aniversário em parte da experiência do Carnaval.

Recém-chegado ao Rio para um novo emprego, ele contou que conheceu o bloco por indicação de amigos e se identificou com a proposta do cortejo até a ilha. “Um amigo comentou que tinha esse bloco que ia pra Paquetá, que era muito da hora. A vista era bonita, não passava carro, era mais tranquilo. Aí a gente falou: vamos conhecer, aproveitar. Por que não?”, contou.

Para alguns, o bloco é novidade, mas para Violeta Reis, fundadora do Pérolas da Guanabara, essa relação afetiva com Paquetá vem desde a infância. Ela conta que o bloco nasceu do desejo de viver o Carnaval de forma próxima, familiar e integrada ao território — uma história que começou muito antes da folia. “Frequento a Ilha de Paquetá desde criança, é uma ligação que vem do meu pai e da Regina, a esposa dele. A gente teve uma infância muito rica, muito pé no chão aqui”, relembra.

Anos depois, já adulta, ela voltou à ilha com o marido e os filhos, e a relação com o Carnaval ganhou um novo sentido. “Quando voltamos com os nossos filhos, encontramos na ilha um cenário perfeito para um lindo Carnaval, com muita alegria e muito colorido.”

O primeiro passo aconteceu em 2011, de forma simples e coletiva. “A gente juntou alguns amigos, amantes de Carnaval e de música boa, e fez o primeiro baile parado aqui no coreto, que já é um cenário pronto: uma igreja, um coreto e o mar”, conta Violeta. Com o tempo, os bailes parados deram lugar ao cortejo que hoje marca o desfile do bloco. Ao longo dos anos, o Pérolas da Guanabara se consolidou como parte da dinâmica cultural da ilha.

“Os moradores abraçaram a nossa ideia. A gente vê pessoas abrindo as portas de casa para curtir, para celebrar junto”, diz. Segundo Violeta, essa troca ajudou a fortalecer o vínculo entre bloco e território. “Eu acho que a gente participou de uma revitalização da ilha. É tanto amor e carinho trocados que o público já vem com essa boa intenção, e isso cria esse clima maravilhoso de Carnaval.”

O bloco também carrega memória e homenagem. Após a perda de Cristina Buarque, admiradora do Pérolas, o desfile deste ano trouxe um estandarte em sua lembrança. “Ano passado tivemos a perda da Cristina Buarque, então este ano fizemos um estandarte em homenagem a ela. Sempre viva!”, afirma Violeta.

Ao todo, 432 blocos desfilam no Carnaval de Rua do Rio 2026. A programação completa vai até o dia 22 de fevereiro e pode ser conferida no aplicativo Blocos do Rio 2026 e no site oficial https://www.carnavalderua.rio/ garantindo que todos os foliões saibam onde e quando a folia vai rolar.


Riotur imprensa

📸 Crédito Foto Alex Ferro


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