Unidos de Vila Isabel Carnival Designers Gabriel Haddad and Leonardo Bora Win 2025 PIPA PrizeFirst time artists from Carnival win one of Brazil’s most important contemporary art awards

Carnavalescos da Unidos de Vila Isabel, Gabriel Haddad e Leonardo Bora vencem Prêmio Pipa 2025
É a primeira vez que artistas do Carnaval vencem a premiação, uma das mais importantes da arte contemporânea brasileira
Existem fronteiras entre as chamadas “artes carnavalescas” e a tão discutida “arte contemporânea”? Os carnavalescos da Unidos de Vila Isabel, Gabriel Haddad e Leonardo Bora, acreditam que não – e a crença nos transbordamentos artísticos que eles defendem acaba de ser agraciada com um dos mais importantes prêmios da arte brasileira. A dupla, que assina o desfile de 2026 da azul e branca de Noel, foi surpreendida nesta sexta-feira (04) com a notícia de que venceu o Prêmio Pipa 2025.
Esta é a primeira vez que artistas cujos trabalhos de maior destaque foram criados para o Carnaval vencem a premiação, algo que, na visão de Haddad, revela uma mudança de olhar para o complexo artístico dos desfiles das escolas de samba: “Recebemos essa notícia com muita alegria e muita emoção. Para nós, os desfiles das escolas de samba são, é claro, uma manifestação artística contemporânea. Que sempre foi contemporânea e esteve na vanguarda, disputando a cidade, pautando os temas do país sob múltiplos olhares, contando histórias, promovendo debates públicos, inventando tecnologias, fundindo linguagens…”
Bora também comemorou o prêmio e falou sobre a sensação de fazer parte de uma continuidade: “Nós, carnavalescos, trabalhamos com linguagens artísticas plurais, que se renovam a cada dia, no calor dos barracões e na agitação dos ateliês. Na década de 1980, a inventividade de Fernando Pinto gerou uma exposição e alguns debates sobre a natureza daquele trabalho – se era ou não era arte. Algo que hoje nos parece absurdo! Joãosinho Trinta e Rosa Magalhães participaram de bienais e fizeram exposições, nos anos 90. Mais recentemente, Leandro Vieira ocupou o Paço Imperial e foi indicado para o Prêmio Pipa de 2020. Quando eu e Gabriel vemos o nosso trabalho artístico, que tem dimensões individuais e coletivas, exposto no Museu de Arte do Rio, no SESC Pinheiros ou no CCBB, entendemos que isso é um processo.”
Ele explica que a premiação revela um reconhecimento extremamente importante do trabalho que exercem, mas não encerra a busca por evolução na trajetória artística. “A premiação do Pipa é um outro passo nessa caminhada ainda tão longa, jamais um ponto de chegada. Desejamos que o nosso trabalho continue conectando artistas e propondo discussões, provocando os sentidos e as certezas das pessoas, desafiando. Nós já trabalhamos em colaboração com pessoas que foram indicadas ou mesmo ganharam o Pipa. Celebramos a entrada nessa lista e a nossa trajetória até hoje, mas não podemos nos dar ao luxo do deslumbramento nem queremos acomodação. O nosso lema é fazer arte e as artes do Carnaval são de uma potência infinita”, finaliza Bora.
Apesar de evoluções, os artistas do Carnaval ainda enfrentam um olhar excludente sobre seu trabalho: “É estranho pensar que nós, carnavalescos, muitas vezes não somos lidos como artistas. É incrível, mas às vezes as pessoas perguntam: ‘vocês são artistas?’ Ou então usam a palavra artista como forma de diferenciação, numa tentativa esquisita de expressar um elogio, não numa dimensão de trabalho. Isso revela um olhar excludente e hierarquizante, ainda preso a noções enferrujadas como ‘alta’ e ‘baixa cultura’ ou ‘cultura popular’ e ‘cultura erudita’ – noções essas que, no Brasil, se conectam às estruturas do racismo e do classismo que historicamente quiseram diminuir a importância do samba, do carnaval e das suas linguagens artísticas. Ganhar esse importante prêmio não deixa de revelar, portanto, uma mudança de olhar, um reconhecimento. Cada desfile de escola de samba é construído por muitos artistas – infelizmente, a maioria permanece no anonimato. Se esse olhar para o nosso trabalho levantar novos e plurais debates sobre as potências artísticas das escolas de samba, já ficamos orgulhosos”, declara Haddad.
O prêmio é uma iniciativa do Instituto Pipa, criado em 2010, para destacar e promover a arte contemporânea brasileira. Entre os objetivos da premiação, está incentivar artistas, motivar a sua produção e valorizar o cenário artístico nacional. Anualmente, depois que um júri de pesquisadores é formado, uma lista de indicados é divulgada. Os nomes elencados passam a ter o conjunto da sua produção artística recente observado e avaliado. Dessa lista, quatro artistas (individuais ou coletivos) são premiados pelo júri.
O trabalho da dupla Bora-Haddad tem características marcantes, que pavimentaram o caminho que levou ao Pipa: a construção de narrativas circulares que dialogam com as memórias das próprias escolas, a desconstrução e o uso alternativo de materiais, o gosto por formas inusitadas, o apreço pelas técnicas artesanais, pelas sobreposições e pelos saberes tradicionais, o uso expressivo da iluminação cênica, o trabalho em colaboração com outros artistas etc.
Agora, os carnavalescos da Unidos de Vila Isabel, juntamente com os outros artistas premiados, terão uma agenda de trabalhos que culminará em uma exposição coletiva cujos detalhes ainda não foram revelados. “Estamos preparando um enredo sobre um multiartista brasileiro, Heitor dos Prazeres, alguém que misturava artes e foi premiado na primeira Bienal de São Paulo. No meio desse diálogo sambista, surge o Prêmio Pipa, fazendo com que a gente olhe para o conjunto dos trabalhos artísticos que já desenvolvemos e queira projetar o próximo desfile com ainda mais entusiasmo. É muita alegria!”, exclama Bora.
Foto: Divulgação/Vila Isabel
Caroline Rocha • assessora de imprensa
GRES Unidos de Vila Isabel
Credito Foto Divulgação/Vila Isabel
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Unidos de Vila Isabel Carnival Designers Gabriel Haddad and Leonardo Bora Win 2025 PIPA Prize
First time artists from Carnival win one of Brazil’s most important contemporary art awards
Are there boundaries between so-called “Carnival arts” and the widely debated “contemporary art”? For Unidos de Vila Isabel’s carnival designers, Gabriel Haddad and Leonardo Bora, the answer is no—and their belief in the overflowing power of artistic expression has just been validated by one of the most prestigious awards in Brazilian art. The duo, who are behind the school’s 2026 parade, were surprised on Friday (July 4) with the news that they had won the 2025 PIPA Prize.
This marks the first time that artists whose most acclaimed works were created for Carnival have won the award—an achievement that, according to Haddad, signals a shift in how the complex artistry of samba parades is perceived:
“We received the news with great joy and emotion. For us, samba parades are undoubtedly a form of contemporary art. They have always been contemporary and at the forefront—engaging with urban life, addressing national issues through multiple perspectives, telling stories, promoting public debates, inventing technologies, and blending artistic languages…”
Bora also celebrated the award, emphasizing the sense of continuity:
“As carnival designers, we work with plural artistic languages that evolve daily, in the heat of the workshops and the energy of the ateliers. In the 1980s, Fernando Pinto’s creativity sparked exhibitions and debates about whether his work was ‘art’—something that now seems absurd! Joãosinho Trinta and Rosa Magalhães took part in biennials and held exhibitions in the ’90s. More recently, Leandro Vieira exhibited at the Paço Imperial and was nominated for the 2020 PIPA Prize. When Gabriel and I see our work—both individual and collective—on display at places like the Museum of Art of Rio, SESC Pinheiros, or CCBB, we understand it as part of an ongoing process.”
Bora explains that the award reflects essential recognition of their work, but it is by no means a final destination:
“Winning the PIPA is another step on a long journey, never a final point. We hope our work continues to connect artists, challenge perceptions, provoke discussions, and disrupt certainties. We’ve already collaborated with artists who were nominated for or even won the PIPA. We celebrate joining this list, but we won’t let ourselves be dazzled or fall into complacency. Our motto is to make art—and the arts of Carnival have infinite potential,” he adds.
Despite growing recognition, Carnival artists still face exclusion:
“It’s strange that carnival designers are often not seen as artists. Sometimes people ask, ‘Are you really artists?’—or they use the word ‘artist’ as if it’s a special compliment, not as a job description. This reflects a hierarchical and exclusionary mindset, still clinging to outdated notions like ‘high vs. low culture’ or ‘popular vs. erudite art’—distinctions that, in Brazil, are deeply tied to racism and classism. Winning this award symbolizes a shift in perspective. Each samba parade is built by many artists—most of whom remain anonymous. If this recognition sparks broader discussions about the artistic power of samba schools, then we are proud,” says Haddad.
The PIPA Prize is an initiative by the PIPA Institute, created in 2010 to highlight and promote Brazilian contemporary art. Its mission is to encourage artists, foster artistic production, and value the national art scene. Each year, a jury of researchers selects nominees whose recent work is then evaluated. Four artists or collectives are selected as winners.
The Bora-Haddad duo stood out for their distinctive style, which paved the way to the PIPA Prize:
circular narratives rooted in the memory of samba schools,
deconstructed and alternative use of materials,
bold aesthetics,
appreciation for handcrafted techniques and traditional knowledge,
expressive lighting design, and
deep collaboration with other artists.
Now, alongside the other winners, the Unidos de Vila Isabel designers will participate in a series of projects that will culminate in a collective exhibition, with details yet to be announced.
“We’re preparing a samba theme about a Brazilian multi-artist, Heitor dos Prazeres, who blended artistic languages and was awarded at the first São Paulo Biennial. In the middle of this sambista dialogue, comes the PIPA Prize, prompting us to reflect on all we’ve created and look forward to our next parade with even more enthusiasm. It’s an incredible feeling!” says Bora.
Photo: Courtesy of Vila Isabel
Press Contact: Caroline Rocha – Unidos de Vila Isabel
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