Obituary

Nota de Falecimento

Zita Carvalhosa (1960 – 2025)

É com profunda tristeza que nos despedimos hoje (22/07) da produtora e promotora da cultura audiovisual Zita Carvalhosa. Ela tornou-se um dos principais nomes do audiovisual brasileiro de sua geração e nos deixa um exemplo de coerência, paixão e dedicação.

Ao longo de toda a sua vida, dedicou seu trabalho à valorização do curta-metragem, à formação de novos talentos e à construção de um audiovisual mais diverso, plural e acessível. Formada em cinema pela Universidade Paris III (França), em 1983 passou a integrar a produtora Superfilmes. Cinco anos depois, atuou como curadora de cinema do MIS – Museu da Imagem e do Som de São Paulo, onde desenvolveu um programa voltado à divulgação do curta-metragem.

Zita participou ativamente da formulação de políticas públicas para o setor, sempre guiada por um profundo compromisso com a cultura e com o fortalecimento do cinema independente no Brasil. Seu legado como produtora inclui longas e curtas independentes premiados no Brasil e no exterior, documentários e séries. Sua atuação deixou marcas profundas na forma como o cinema é pensado, exibido e vivenciado no país.

Em 1989, criou o Kinoforum – Festival Internacional de Curtas de São Paulo, que dirigiu por 35 anos. Sob sua liderança, ele se tornou uma plataforma internacional de intercâmbio que reúne cineastas, curadores e programadores do mundo inteiro na cidade de São Paulo e também o festival de curtas mais importante da América Latina. Sua próxima edição será de 21 a 31 de agosto.

Zita também presidiu a Associação Cultural Kinoforum, responsável pelo festival, pioneira na criação de oficinas de realização audiovisual. Desde 2001 elas acontecem em regiões periféricas da cidade, com ações de formação voltadas especialmente para jovens. Ao longo da vida, Zita construiu redes de pessoas apaixonadas pelo cinema e criou conexões entre bairros, países, gerações e culturas distintas.

À frente da Superfilmes, produziu longas-metragens premiados como Carvão, de Carol Markowitz; A Casa de Alice, de Chico Teixeira; Um Homem de Moral, de Ricardo Dias; O Cineasta da Selva, de Aurélio Michiles; Tinnitus e Obra, de Gregório Graziosi; Tônica Dominante, de Lina Chamie; Urbania, de Flavio Frederico; Como Fazer um Filme de Amor, de José Roberto Torero, entre outras obras.

O cinema brasileiro é maior porque ela esteve aqui.

Zita Carvalhosa deixa a filha Ligia, os netos Theodoro e Martina, a mãe Margarida, o irmão Fernando, a enteada Iara e o marido Patrick Leblanc.

O velório será amanhã, 23/07, das 10h às 16h, na Cinemateca Brasileira – Largo Senador Raul Cardoso, 207 – Vila Clementino – São Paulo.

Credito Foto

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Obituary

Zita Carvalhosa (1960 – 2025)

It is with deep sorrow that we bid farewell today (July 22) to the renowned producer and promoter of audiovisual culture, Zita Carvalhosa. She became one of the leading figures in Brazilian cinema of her generation, leaving behind an enduring legacy of integrity, passion, and dedication.

Throughout her life, she committed herself to valuing short films, nurturing new talent, and building a more diverse, inclusive, and accessible audiovisual landscape. A graduate in cinema from the University of Paris III (France), she joined the production company Superfilmes in 1983. Five years later, she worked as film curator at MIS – Museum of Image and Sound in São Paulo, where she developed a program focused on promoting short films.

Zita played an active role in shaping public policies for the audiovisual sector, always guided by a profound commitment to culture and the advancement of independent cinema in Brazil. Her production work includes award-winning feature and short films, documentaries, and series, recognized both nationally and internationally. Her contributions deeply influenced the way cinema is conceived, screened, and experienced in the country.

In 1989, she founded the Kinoforum – São Paulo International Short Film Festival, which she directed for 35 years. Under her leadership, it became an international platform for exchange, bringing together filmmakers, curators, and programmers from around the world in São Paulo. It is also the most important short film festival in Latin America. The next edition will take place from August 21 to 31.

Zita also presided over the Kinoforum Cultural Association, which organizes the festival and pioneered audiovisual production workshops. Since 2001, these workshops have taken place in underserved areas of the city, focusing on youth training and development. Throughout her life, Zita built networks of people passionate about cinema and created connections across neighborhoods, countries, generations, and diverse cultures.

As head of Superfilmes, she produced acclaimed feature films such as Carvão by Carol Markowitz; A Casa de Alice by Chico Teixeira; Um Homem de Moral by Ricardo Dias; O Cineasta da Selva by Aurélio Michiles; Tinnitus and Obra by Gregório Graziosi; Tônica Dominante by Lina Chamie; Urbania by Flavio Frederico; and Como Fazer um Filme de Amor by José Roberto Torero, among many others.

Brazilian cinema is greater because she was here.

Zita Carvalhosa is survived by her daughter Ligia, grandchildren Theodoro and Martina, mother Margarida, brother Fernando, stepdaughter Iara, and husband Patrick Leblanc.

The wake will be held tomorrow, July 23, from 10 AM to 4 PM at the Cinemateca Brasileira – Largo Senador Raul Cardoso, 207 – Vila Clementino – São Paulo.

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