The Award-Winning Show Professor Samba – A Tribute to Ismael Silva Concludes Its 2025 Season at the Imperator

O premiado espetáculo Professor Samba – Uma Homenagem a Ismael Silva encerra temporada de 2025 no Imperator
Depois do sucesso de público e crítica nas primeiras temporadas, o espetáculo Professor Samba – Uma Homenagem a Ismael Silva circulará por quatro aparelhos culturais do Rio de Janeiro, entre os meses de outubro e dezembro. Após apresentações no Teatro João Caetano, Armando Gonzaga e Mário Lago, a peça chega para dois finais de semana no Imperator (dias 10,11, 12 e 18/12). Todos equipamentos são da FUNARJ.
A montagem saúda um dos nomes ilustres da música brasileira: Ismael Silva (1905 − 1978). Esse sambista carioca também é um dos fundadores da Escola de Samba Deixa Falar, em 1928 – a primeira agremiação desse tipo que, anos depois, se tornaria a tão conhecida Estácio de Sá.
A trama se desenvolve com o personagem apresentando ao público uma roda de samba, ambientada nas Esquinas do Bairro do Estácio e na Lapa das décadas de 20 a 50, recheada de muitas histórias, muita música e a boa “malandragem”, característica da boemia carioca, contando as passagens da vida de Ismael e passeando por fatos importantes da nossa cultura popular e do histórico cenário carioca da época.
Com autoria de Ana Velloso, que dirige o espetáculo ao lado de Édio Nunes, a peça venceu o prêmio APTR de Coreografia (Édio Nunes e Milton Filho) , e conta com três atores que se revezam dando vida ao personagem-título: Édio Nunes, que foi indicado como melhor ator no Prêmio Shell, Jorge Maya e Milton Filho.
Com muita versatilidade, eles “reencarnam” Ismael Silva e ainda se desdobram em diversas outras figuras, contando a história do “Professor Samba”, transitando por fatos importantes da sociedade, no contexto da época – na qual esse gênero se renova, resiste, luta contra preconceitos e permanece vivo e forte, tanto tempo após sua saída da Casa da Tia Ciata (1854 – 1924), para conquistar o mundo.
“A transformação do samba, os blocos de carnaval, a virada para a criação da Escola de Samba, o pulsar da bateria, a criação da estrutura não só musical, mas de organização daqueles blocos, cordões, a evolução do maxixe para o samba, são sedimentações feitas a partir do envolvimento de Ismael e seus contemporâneos que transformaram o samba na potência do Rio, num estilo musical que transcende, que é estilo de vida, de cultura, e sociedade que desenha a figura da malandragem, da cabrocha, da cadência, do que se tornou símbolo não só do território fluminense, mas de um país. Assim como o futebol, o Brasil é a terra do samba a partir dele e de outros artistas representados na peça”, diz Édio Nunes.
“A cultura do povo preto que foi abraçada, mas que este mesmo povo sempre foi colocado de lado. Vidas e histórias como a dele, merecem ser contadas, cantadas e reverenciadas’’, completa o diretor.
O artista argumenta que a peça também é uma forma de chamar a atenção da sociedade para não esquecer de nomes tão importantes que ajudaram a transformar a cultura nacional, mesmo com o peso do estigma social e racial, batalhas travadas, ainda na atualidade.
“Professor Samba – Uma Homenagem a Ismael Silva conta a história de um homem, artista, negro, favelado, que mostra que tem talento e que pode ter o espaço dele por merecimento, ser valorizado. Algo não tão distante da realidade atual. É o nosso caso. Somos três artistas pretos, transitamos de maneira multifacetada pela arte. Eu, Jorge e Milton possuímos uma carreira extensa com mais trinta anos fazendo isso, e todos os dias temos que provar que podemos, que somos capazes, nada vem fácil, nós criamos, produzimos, colocamos espetáculos nos palcos, temos outros trabalhos além viver da arte para nos mantermos. Estamos sempre na corda bamba, lutando para manter-se de pé, com trabalho, com dignidade. Os aplausos acontecem, mas como os sambistas que interpretamos, vivemos a instabilidade, à parte. Para os artistas pretos, a luta é contínua. Ismael e os demais sambistas, artistas que vieram antes nós, já travavam essa batalha, de ser e viver da arte e deixar um legado. Defender a cultura e o pão de cada dia. Brigar para não cair no esquecimento’’, acrescenta o ator.
Para Ana Velloso, o espetáculo também tem como objetivo fazer uma reflexão sobre a descolonização dos corpos pretos. “Entendemos, Édio e eu, que precisávamos extrapolar o objetivo inicial, de contar a história do sambista do Estácio, que foi um dos criadores da primeira escola de samba. Queríamos traçar um paralelo entre passado, presente e futuro, discutir problemas humanos, enfatizar que corpos negros são corpos políticos, que não podem ser dissociados de sua realidade histórica, social e cultural. Para alcançar esse objetivo, inseri na dramaturgia traços da vida dos atores, que também compõem a cena, ajudando a contar a história de tantos ‘Ismaeis’, artistas brasileiros, negros, que dedicaram suas vidas à construção da nossa cultura”, pontua a autora e diretora.
Ismael Silva (14/09/1905 −14/03/1978)
Nascido em Niterói, Ismael Silva, caçula de um cozinheiro e de uma lavadeira, mudou-se com a mãe e os quatro irmãos para o Rio de Janeiro, após a morte precoce do pai. No Rio Comprido, bairro vizinho ao Estácio, o menino tornou-se o melhor aluno da escola. Começou na rua o interesse pelo samba. O primeiro, Já desisti, ele compôs aos 14 anos de idade. Muito jovem começou a frequentar os bares do Estácio, onde os sambistas se reuniam. Lá conheceu Francisco Alves, um dos principais cantores da época, que procurou o jovem para gravar seus sambas. O compositor aceitou e, ao lado de Nilton Bastos e Francisco Alves, integrou uma das mais famosas parcerias da música popular brasileira, o trio Os Bambas do Estácio.
Ismael foi um dos fundadores da primeira Escola de Samba do Brasil, a Deixa Falar, em 1928, que depois virou a Estácio de Sá. Tornou-se parceiro frequente de Noel Rosa. Mas, após a morte do amigo, em 1937, Ismael passou por momentos de extrema dificuldade: foi preso por uma briga de bar, teve problemas financeiros e ficou um tempo isolado. A volta triunfal ocorreu em 1950, quando seu samba Antonico foi gravado por Alcides Gerardi, com grande sucesso.
Nas décadas de 60 e 70, foi reverenciado por diversos artistas como Chico Buarque, Vinícius de Moraes e os integrantes do Zicartola. A vida de Ismael, cheia de altos e baixos, e sua obra genial, são a inspiração de nossa homenagem. O artista morreu em março de 1978, aos 73 anos, deixando mais de cem composições, que fazem parte da cultura musical brasileira.
Autora premiada
Atriz, produtora e autora, Ana Velloso participou de espetáculos como Dolores (direção De Bonis), Clara Nunes – Brasil Mestiço (Dir. Gustavo Gasparani), Estatuto da Gafieira e Vianinha (ambos dirigidos por Aderbal Freire Filho), Aurora da Minha vida (dir. Naum Alves de Souza), A Revista do ano (dir. Sergio Modena) e Sambra – 100 Anos de Samba (dir. Gustavo Gasparani) entre outros. Assinou, em parceria com Vera Novello, as peças: Você não passa de uma Mulher, Rio de que sempre Rio, Atlântida – O reino da Chanchada, Clara Nunes – Brasil Mestiço, Estatuto da Gafieira e É a Mãe.
Idealizadora e autora da trilogia Sambinha, Bossa Novinha e Forró Miudinho, recebeu o prêmio de melhor autora por Sambinha e Forró Miudinho. Ganhou premiação similar, ao lado de Vera Novello, pelo musical O Choro de Pixinguinha. Foi indicada ao prêmio de melhor Autora por Kid Morengueira – Olha o Breque!, juntamente com Andrea Fernandes, e Atlântida – Uma Comédia Musical, com de Vera Novello. Autora da série Brasileirinho, estreou na TV em 2025. É autora e foi produtora do espetáculo Copacabana Palace – O Musical, com estreia em 2021, no Teatro Copacabana Palace.
Serviço:
“Professor Samba – Uma homenagem a Ismael Silva”
10, 11, 12 e 18 de Dezembro às 19h
IMPERATOR – R. Dias da Cruz, 170 – Méier, Rio de Janeiro
Ingressos: R$ 5,00 (inteira) / R$ 2,50 (meia)
Duração: 80 minutos
Classificação indicativa: 14 anos
Angélica Zago
Assessora de Comunicação
CREDITO FOTO
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The Award-Winning Show Professor Samba – A Tribute to Ismael Silva Concludes Its 2025 Season at the Imperator
After receiving enthusiastic praise from both audiences and critics in its earlier seasons, the show Professor Samba – A Tribute to Ismael Silva will tour four cultural venues in Rio de Janeiro between October and December. Following performances at Teatro João Caetano, Armando Gonzaga, and Mário Lago, the production arrives at the Imperator for two weekends (December 10, 11, 12 and 18). All venues are part of FUNARJ.
The production celebrates one of the most iconic names in Brazilian music: Ismael Silva (1905–1978). A Rio-born sambista, he was also one of the founders of the Deixa Falar Samba School in 1928—the first institution of its kind, which would later become the renowned Estácio de Sá.
The narrative unfolds as the main character presents to the audience a samba circle set in the street corners of the Estácio neighborhood and in Lapa during the 1920s to 1950s, filled with stories, music, and the unmistakable malandragem of Rio’s bohemian scene. The show recounts moments from Ismael’s life and revisits key chapters of Brazilian popular culture and the city’s historical landscape.
Written by Ana Velloso, who co-directs alongside Édio Nunes, the play won the APTR Award for Best Choreography (Édio Nunes and Milton Filho). Three actors alternate in the title role: Édio Nunes—nominated for Best Actor at the Shell Awards—Jorge Maya, and Milton Filho. With great versatility, they “reincarnate” Ismael Silva and portray a range of characters who help tell the story of “Professor Samba,” navigating important social contexts of the era—when the genre was reinventing itself, resisting prejudice, and remaining vibrant long after emerging from the gatherings at Tia Ciata’s house (1854–1924) to conquer the world.
“The transformation of samba, the carnival street groups, the creation of the samba school, the heartbeat of the drumline, the building of musical and organizational structures for those groups—the evolution from maxixe to samba—are all developments shaped by Ismael and his contemporaries,” says Édio Nunes. “They turned samba into Rio’s powerhouse, a musical tradition that transcends, a lifestyle, a cultural force—depicting symbols of malandragem, the cabrocha, the cadence—icons not only of Rio, but of an entire nation. Like football, Brazil became the land of samba thanks to him and to other artists portrayed in the play.”
“The culture of Black people was embraced by society, yet Black people themselves were continually pushed aside. Lives and stories like his deserve to be told, sung, and honored,” adds the director. He notes that the show also seeks to remind society not to forget the significant figures who shaped national culture despite social and racial stigma—battles that persist today.
Professor Samba – A Tribute to Ismael Silva tells the story of a Black, working-class artist who proves his talent and asserts his rightful place, showing he deserves recognition—an experience still relevant today. “That is our reality,” the actor says. “We are three Black artists who navigate various facets of art. Jorge, Milton, and I each have over 30 years in this profession, and every day we must prove ourselves. Nothing comes easy—we create, produce, put shows on stage, and balance multiple jobs to survive. We’re always walking a tightrope, fighting to stand with dignity. Applause comes, but like the sambistas we portray, we live with instability. For Black artists, the struggle is ongoing. Ismael and those before us fought this same battle—to live from art and leave a legacy, to defend culture and earn their bread, to fight against being forgotten,” he adds.
For Ana Velloso, the production also aims to spark reflection on the decolonization of Black bodies. “Édio and I realized we needed to go beyond the initial goal of telling the story of the sambista from Estácio, one of the creators of the first samba school. We wanted to draw parallels between past, present, and future, to discuss human issues, and to emphasize that Black bodies are political bodies inseparable from their historical, social, and cultural realities. To achieve this, I wove aspects of the actors’ own lives into the dramaturgy, which enrich the narrative and help tell the story of so many ‘Ismaeis’—Black Brazilian artists who devoted their lives to shaping our culture,” explains the playwright and director.
Ismael Silva (14/09/1905 – 14/03/1978)
Born in Niterói, Ismael Silva was the youngest child of a cook and a washerwoman. After his father’s early death, he moved with his mother and siblings to Rio de Janeiro. In Rio Comprido, near Estácio, he became the top student in school. His interest in samba began in the streets. At 14, he composed his first song, Já desisti. Still very young, he began frequenting bars in Estácio, where sambistas gathered. There he met Francisco Alves, one of the most prominent singers of the time, who sought him out to record his sambas.
Alongside Nilton Bastos and Francisco Alves, Ismael formed one of the most famous songwriting partnerships in Brazilian popular music: the trio Os Bambas do Estácio.
Ismael co-founded Brazil’s first samba school, Deixa Falar, in 1928, which later became Estácio de Sá. He became a frequent collaborator of Noel Rosa. But after Rosa’s death in 1937, Ismael experienced hardship: he was imprisoned after a bar fight, faced financial difficulties, and spent a period in isolation.
His triumphant return came in 1950 when Alcides Gerardi recorded his samba Antonico, which became a major hit. In the 1960s and 70s, he was honored by artists such as Chico Buarque, Vinicius de Moraes, and members of Zicartola.
His turbulent life and extraordinary body of work inspire this tribute. Ismael died in March 1978 at age 73, leaving more than one hundred compositions that remain essential to Brazil’s musical culture.
About the Playwright
Actress, producer, and playwright Ana Velloso has taken part in productions such as Dolores (Dir. De Bonis), Clara Nunes – Brasil Mestiço (Dir. Gustavo Gasparani), Estatuto da Gafieira and Vianinha (both directed by Aderbal Freire Filho), Aurora da Minha Vida (Dir. Naum Alves de Souza), A Revista do Ano (Dir. Sergio Modena), and Sambra – 100 anos de Samba (Dir. Gustavo Gasparani), among others.
She co-wrote, alongside Vera Novello, the plays Você Não Passa de uma Mulher, Rio de que Sempre Rio, Atlântida – O Reino da Chanchada, Clara Nunes – Brasil Mestiço, Estatuto da Gafieira, and É a Mãe.
Creator of the children’s trilogy Sambinha, Bossa Novinha, and Forró Miudinho, she won Best Playwright for Sambinha and Forró Miudinho. Together with Vera Novello, she also received the same award for the musical O Choro de Pixinguinha.
She was nominated for Best Playwright for Kid Morengueira – Olha o Breque! (with Andrea Fernandes) and Atlântida – Uma Comédia Musical (with Vera Novello).
She wrote the series Brasileirinho, which debuted on TV in 2025. She also created and produced Copacabana Palace – O Musical, which premiered in 2021 at Teatro Copacabana Palace.
Service
“Professor Samba – A Tribute to Ismael Silva”
December 10, 11, 12 and 18 – 7 PM
IMPERATOR – R. Dias da Cruz, 170 – Méier, Rio de Janeiro
Tickets: R$ 5 (full) / R$ 2.50 (half)
Duration: 80 minutes
Rating: 14+
Angélica Zago – Press Officer
Photo Credit
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