G.R.S.C.E.S. ACADÊMICOS DA PEDRA BRANCAEnredo 2027

G.R.S.C.E.S. ACADÊMICOS DA PEDRA BRANCA
Enredo 2027
DAS RUAS DE BANGU AO REINO DOS SONHOS:
JOSÉ MAURO DE VASCONCELOS EM VERDE, BRANCO E LARANJA LIMA.
Por Laerte Gulini
• APRESENTAÇÃO:
Nasce em 26 de fevereiro de 1920, no bairro de Bangu, Zona Oeste do Rio de Janeiro, José Mauro
de Vasconcelos. Filho de uma família humilde, de ascendência portuguesa e indígena, ainda criança vai
morar em Natal, no Rio Grande do Norte, onde vive uma infância marcada pela pobreza, pelas dificuldades
e pela liberdade das ruas, das árvores e das águas do rio Potengi. É nesse universo de afetos e carências
que surgem os primeiros sonhos do menino inquieto, observador e imaginativo.
A obra de José Mauro de Vasconcelos construiu um verdadeiro mosaico da alma brasileira,
composta em quatro fases de sua vida: O Início e a Terra: Banana Brava (1942), Barro Blanco (1945),
Longe da Terra (1949). O Mar e o Sertão: Vazante (1951), Arara Vermelha (1953), Arraia de Fogo (1955),
Rosinha, Minha Canoa (1962). O Fenômeno e o Afeto: O Meu Pé de Laranja Lima (1968). A Maturidade
e a Despedida: Doidão (1963), O Palácio Japonês (1969), Farinha Liofilizada (1975), O Veleiro de Cristal
(1973), Um Nó na Garganta (1974), O Garanhão das Praias (1975), A Chaminé de Cristal (1978) e O Menino
Invisível (1980).
.
• JUSTIFICATIVA:
Na literatura, embora muitas vezes ignorado por parte da crítica intelectual da época, José Mauro
foi amado pelo povo e consagrado pelos leitores. Seus livros alcançaram sucessivas reedições, adaptações
para cinema, televisão, teatro e quadrinhos. “O Meu Pé de Laranja Lima” tornou-se leitura obrigatória em
escolas e um clássico internacional da literatura infanto juvenil. Sua escrita carregava marcas
autobiográficas profundas. O menino pobre de Bangu jamais abandonou suas memórias de dor, abandono,
afeto e esperança. Sua literatura falava das crianças invisíveis, dos trabalhadores humildes, dos sertões
esquecidos e das emoções humanas mais sinceras. Em 24 de julho de 1984, José Mauro de Vasconcelos
falece em São Paulo, aos 64 anos. Mas sua obra permanece viva, atravessando gerações e emocionando
leitores até hoje. Nosso desfile celebra o homem que fez da imaginação um refúgio contra a dor. Um artista
múltiplo, brasileiro profundo, poeta das emoções simples e cronista da infância esquecida.
• SINOPSE:
Abram-se os portais da imaginação! A avenida se transforma num grande quintal encantado, onde
um menino pobre de Bangu conversa com árvores, transforma tristeza em fantasia e faz da própria vida
uma das obras mais emocionantes da literatura brasileira. Nosso desfile mergulha na trajetória de José
Mauro de Vasconcelos, escritor, ator, aventureiro, artista e contador de histórias que eternizou o Brasil
profundo em páginas carregadas de emoção. A avenida agora vira estrada! Nosso enredo acompanha o
jovem aventureiro que percorreu o Brasil de Norte a Sul em busca da sobrevivência e do conhecimento da
alma humana.
José Mauro foi treinador de boxe, carregador de bananas, pescador, agricultor, garimpeiro, professor
primário, garçom, locutor de rádio, jornalista, ator de cinema, artista plástico e viajante. Viveu entre
sertanejos, indígenas, pescadores e trabalhadores anônimos.
Cada experiência alimentava sua memória extraordinária e seu olhar sensível sobre o povo brasileiro.
Autodidata, iniciou cursos superiores, incluindo medicina, mas nunca concluiu a faculdade. Sua verdadeira
universidade foi a vida. Em suas andanças pelo país, conheceu os sertões, os rios, o Araguaia, o interior do
Brasil profundo e as dores dos esquecidos. Dessas vivências nasceram personagens humanos, intensos e
emocionantes. Entre todas as obras, nenhuma alcançou tamanho impacto quanto “O Meu Pé de Laranja
Lima”, lançado em 1968. 1
O livro narra a infância do pequeno Zezé, menino pobre, criativo e extremamente sensível, que
encontra amizade e abrigo emocional em um pé de laranja lima. Misturando autobiografia e ficção, José
Mauro criou uma das histórias mais marcantes da literatura brasileira. Zezé é o próprio autor menino. É a
criança ferida pela pobreza, mas iluminada pela imaginação. É o retrato do Brasil periférico, sonhador e
resistente. O romance emocionou gerações, vendeu milhões de exemplares, foi traduzido para diversos
idiomas e transformou José Mauro num dos escritores brasileiros mais lidos no mundo. A avenida então
floresce em laranja, sonho e fantasia! Árvores falam, estrelas dançam e a infância ganha voz em alegorias
poéticas. A história de Zezé continua em mais dois livros fechando uma trilogia: Vamos aquecer o sol (1974)
que mostra Zezé na adolescência no Rio Grande do Norte lidando com a solidão e novas amizades
imaginárias. Enquanto na infância Zezé tinha o pé de laranjeira, o Minguinho, nesta fase ele encontra o
Sapo Cururu, que mora em seu coração e o ajuda a enfrentar a solidão de viver longe da família, em Natal.
Também troca a figura paterna, do Portuga para um de seus personagens reais, o Fayolle, o mestre
religioso francês de onde Zézé estudava e aconselhava nas suas traquinagens, simbolizando o papel da
educação e do acolhimento na formação do jovem José Mauro, e Doidão (1974) que relata a juventude de
Zezé, sua fase de amadurecimento e a busca por liberdade e independência. Surge o universo encantado
de Zezé, o amigo Portuga, o morcego Luciano, que não era um morcego, mas um avião imaginário amigo,
ao explicar para o “Rei Luiz”, seu irmão, que não era um vampiro perigoso, o Sapo Cururu, o professor
Fayolle, além de outros personagens inesquecíveis que habitam a memória afetiva de milhões de leitores.
As obras desta trilogia seguem a ordem de sua publicação e não de sua criação.
Mas José Mauro não viveu apenas da literatura. Foi também homem das artes cênicas e do cinema
brasileiro. Atuou em importantes produções nacionais e trabalhou como roteirista. Seu talento como ator
lhe rendeu importantes reconhecimentos artísticos. Recebeu o Prêmio Saci de Melhor Ator Coadjuvante
por “Modelo 19”, o prêmio Governador do Estado por sua atuação em “Na Garganta do Diabo”, além de
novo Prêmio Saci por “Mulheres e Milhões”. Também foi reconhecido pela Prefeitura de São Paulo por sua
atuação no filme “A Ilha”. Destaque para o prestigiado Prêmio Jabuti (1967, por O Meu Pé de Laranja Lima)
e as homenagens internacionais.
. A passarela do povo se transforma num grande pé de laranja lima, onde cada folha guarda um sonho,
cada fruto carrega uma memória e cada criança reencontra o direito de imaginar. Mesmo diante da pobreza,
da dor e das perdas, a imaginação pode salvar, acolher e eternizar sonhos. Porque enquanto existir uma
criança capaz de conversar com uma árvore, José Mauro de Vasconcelos continuará vivo. Hoje a avenida
canta: No reino da imaginação, Zezé virou poesia, E o Brasil virou coração!
Crédito Foto: Divulgação
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